‘Cria’ do clube campeão na França

kadu volei
Kadu Antony

Por Cláudia Zucare Boscoli

Uma aula de simpatia e simplicidade. Assim pode ser definida a conversa com Kadu Antony, jogador profissional que acabou de conquistar a Copa de Vôlei da França, pelo Mende Volley Lozère, e que o Caiçaras tem orgulho de dizer que é “sua cria”.

Sócio do clube desde bebê e por onde sempre aparece quando está de férias no Brasil, Kadu começou a jogar vôlei aos 13 anos, frequentando as quadras do clube aos finais de semana. Aos 17, já estava na seleção carioca. E, aos 19 anos, embarcava para a França para ingressar no Paris Volley. Desde então, teve passagens também pelo Chaumont Volley-Ball e pelo Tourcoing LMVB, até chegar ao Mende Volley Lozère, time com o qual conquistou sua primeira Copa.

“Temos um grupo muito unido, fora do normal. Em todos os anos que joguei na França, nunca vi nada igual. Além disso, temos um treinador exigente, franco e direto. Resumindo, é um grupo perfeito. Estou muito feliz com esta conquista!”, comemora.

Kadu considera que o vôlei brasileiro é tão bom quanto o francês e confessa que até treinava mais quando jogava por aqui. “Acho que treinamos menos do que no Brasil. Acho não, tenho certeza”, conta, rindo. “Na França, valorizam mais o volume de jogo, recepção, defesa e cobertura, mas as condições são as mesmas. É só uma questão de visão diferente do vôlei”, avalia.

Para a garotada que está começando, o recado é claro: “Não adianta querer correr antes de andar. A primeira coisa é ter paciência”, enfatiza. “Em segundo lugar, jogue sempre que puder, não importa o nível. Vejo muito jovem que acha que já é craque, que só quer jogar com bons jogadores. Mas para evoluir, é preciso saber jogar com jogadores inferiores também, porque compensar o erro do outro não é fácil. Por exemplo, se você joga com um senhor e coloca sua recepção a um metro dele, ele erra a levantada ou nem toca a bola. Muitos vão dizer que o erro foi do senhor, mas para mim foi a recepção que foi terrível. É preciso saber respeitar e conhecer o nível dos seus companheiros de time. Por fim, é preciso acreditar que você pode chegar a ser profissional e não deixar ninguém te dizer o contrário”.

Dos tempos de Caiçaras, ele diz só ter boas lembranças. “Sábados e domingos no vôlei da manhã foi onde comecei a jogar. Era um grupo variado de jovens, adultos, senhores e, claro, mulheres também. Como eu era jovem, sempre eram mais exigentes comigo. O Joel, funcionário do clube, que faz o melhor churrasco do mundo, e o Lucas Arcoverde, sócio que jogava comigo no Flamengo também, que me ajudaram a me integrar”. E complementa: “Esse vôlei me ajudou muito a ter uma visão boa de jogo, a compensar e salvar bolas que não eram minhas. Foi produtivo. Depois veio o vôlei de segunda também, que é de nível superior, com muito mais ataques. Esses três dias, mais os treinos no Flamengo e na praia que me ajudaram a me formar”, lembra.

Parabéns, Kadu! O Caiçaras segue sempre na torcida pelo seu sucesso!