Histórias de vida: triatlo para fazer o bem

Usar o esporte como terapia e para praticar o bem. Esta foi a escolha da sócia Natália Nogueira, de 29 anos, ao ser diagnosticada com esclerose múltipla, uma doença autoimune e degenerativa, ainda sem cura.

Praticante de esportes desde sempre, tendo começado ainda criança com natação no clube e aulas de futebol, Natália se encontrou no triatlo, modalidade que a faz acordar todos os dias às 4h para treinar.

Mas, aos 19 anos, um formigamento nas pernas a levou ao diagnóstico da doença. “Sinto-me muito sortuda. Muitas pessoas ficam com sequelas e os meus sintomas desapareceram com a medicação. Pude voltar a fazer todas as minhas atividades, inclusive o esporte, que sempre foi parte fundamental da minha vida”, afirma. “Aprendi que o esporte é a minha terapia e sou muito grata por ter me encontrado no triatlo”, complementa.

Com acompanhamento de bons profissionais e uso correto dos medicamentos, Natália comemora em 2019 dez anos sem crises da doença e decidiu celebrar o feito com um desafio: ela se preparou durante dois anos para correr uma prova de IronMan, que completou no final de maio, em Florianópolis.

A prova era composta de 3,8 quilômetros de natação, 180,2 quilômetros de ciclismo e 42,2 quilômetros de corrida. E ela decidiu que faria do seu esforço uma causa maior: iniciou uma campanha para arrecadar doações de sangue, de medula óssea e de dinheiro pela esclerose múltipla.

“Desde que comecei a correr e fazer parte do mundo de maratonas internacionais, penso em correr por alguma causa. Normalmente uma das formas de correr uma das Six Majors Marathons (Berlim, Nova York, Tóquio, Chicago, Londres e Boston) é através de doação. Nunca achei uma causa com que me identificasse e que pudesse engajar as pessoas a contribuírem. E quando surgiu a vontade de fazer o IronMan, pensei que correr pela minha causa, da esclerose múltipla, iria fazer sentido”, conta.

Por conta de seu diagnóstico, Natália não pode doar sangue ou se cadastrar como doadora de medula óssea. Por esta razão, ela estipulou como metas para sua campanha convencer o maior número de pessoas a fazer por ela o que a doença não permite. “Estipulei metas que têm a ver com essas minhas limitações e com as distâncias do IronMan. Então, quero, junto a quem aderir à minha campanha, doar 42 litros de sangue, cadastrar 38 novos doadores de medula óssea, e arrecadar R$ 18 mil para a ABEM (Associação Brasileira de Esclerose Múltipla)”, explica.

Para quem quiser saber mais sobre a campanha e participar, ela se chama “Natão x Esclerose Múltipla” e pode ser acompanhada pelo Instagram (@nwnogueira).

“Como o Hemorio ou qualquer banco de sangue no país não consegue fazer o controle de doações feitas pela minha campanha, peço a todos que forem doar, sangue ou medula, que me enviem uma foto, para eu poder contabilizar em minha planilha”, pede. “Para a doação em dinheiro, eu fiz uma campanha no GoFundMe, mas como é internacional, muitas pessoas perguntam se podem me transferir em reais diretamente e eu disponibilizo os dados da minha conta. Toda doação monetária vai para a ABEM”.

Atualmente morando na Europa, onde cursa mestrado em Sustentabilidade, Natália se divide entre as aulas e os treinos de triatlo. Para a preparação para o IronMan, os treinos foram diários, com um dia de descanso a cada quinzena. Haja disposição! Que venham mais muitos anos, com muita saúde e muito esporte!