Novo Plano Diretor é apresentado aos sócios: entrevista com o Comodoro

Na última segunda-feira, 13 de maio, foi apresentado no Aloha o novo Plano Diretor do Caiçaras, que visa nortear os investimentos em revitalização das instalações do clube pelos próximos 6 a 8 anos. A receptividade ao projeto foi positiva, segundo o Comodoro Victor Polonia. “Para a minha grata surpresa, a receptividade tem sido extremamente positiva. Digo isto porque as pessoas têm uma tendência natural a resistir às mudanças e o Caiçaras, além de já ser um clube espetacular, tem um perfil extremamente conservador. Daí a minha surpresa”. Confira na entrevista abaixo detalhes do projeto e os principais benefícios que ele trará ao clube.

O próximo passo será fazer uma ampla divulgação do plano com as plantas e a exposição em 3D, e a abertura de um canal pelo qual o associado possa dar a sua contribuição para o aprimoramento do projeto.

– Resumidamente, quais as principais propostas do Plano Diretor?
Victor Polonia –
O processo começou com um criterioso levantamento das necessidades, que envolveu uma Comissão composta pelo Secretário do Conselho Deliberativo José Paulo David, o VC de Obras Sérgio Rodriguez, dois Conselheiros: Clide Zelazo e Marcelo Fortes e o Comodoro, e que envolveu nove Vice-Comodoros, 20 Diretores e diversos associados. Em paralelo, uma Consultoria de Alimentos e Bebidas, realizada por um profissional que formatou franquias em diversas cadeias de alimentação, como Mc Donalds, Bob’s, KFC, entre outras, e mapeava o modelo ideal do setor de Alimentos e Bebidas para o clube.

Também foi feito um criterioso processo de escolha do escritório de arquitetura, embasado no procedimento formal de compras e contratações (Resolução nº 05), estabelecido pelo Conselho Deliberativo, pelo qual foram selecionados quatro escritórios de arquitetura “top de linha” do Rio de Janeiro. A Comissão de Obras, composta pelo Presidente do Conselho Fiscal Carlos Henrique, o VC de Obras Sérgio Rodriguez, o VC Financeiro Alexandre Belém, a sócia e arquiteta Sonia Mattos, e o Comodoro escolheu o escritório de Miguel Pinto Guimarães para a missão, por conta de sua experiência prévia muito bem sucedida e avaliada em projetos similares em outros clubes. Recentemente, este escritório foi agraciado com o prêmio da A’Design Award pelo projeto da Escola Eleva, filial Barra da Tijuca. É um dos prêmios mais valorizados do mundo em design e arquitetura, e a premiação acontece anualmente na Itália.

Cumpridas estas duas etapas, foi passado o seguinte “briefing” do levantamento das necessidades para a MPG:

– Maximizar a convivência dos sócios, privilegiando sua integração com a Lagoa e eliminando as obstruções visuais.

– Racionalizar a quantidade de pontos de alimentação.

– Integrar o restaurante principal com o bufê, o Parque Aquático e o Parquinho Infantil.

– Concentrar toda a Administração em área menos nobre da ilha: maior produtividade e comunicação, e menor desperdício de tempo.

– Dar ao Salão Social maior flexibilidade para diferentes eventos e dar solução para os diversos espaços ociosos.

– Utilizar de maneira mais efetiva o segundo andar em torno do Ginásio.

– Minimizar o transtorno causado pelo intenso fluxo de veículos de serviço nas áreas nobres da Ilha.

– Estabelecer uma relação ganha-ganha em todos os setores do clube, para que as novas demandas sejam contempladas e todos os setores envolvidos pelo Plano tenham uma melhoria significativa das suas instalações.

– Dentro do projeto do escritório de arquitetura MPG, quais melhorias previstas você destacaria como fundamentais para o clube?
Victor Polonia –
O Master Plan desenvolvido pela MPG conseguiu surpreender positivamente até a mim, que estive envolvido em todo o processo. As soluções propostas para os espaços do clube são realmente geniais, dentre as quais destaco:

– A integração do Parque Aquático com o Parque Infantil e com o restaurante Caíque, agora ampliado, com uma varanda generosa, possibilitando serviço de bufê para o restaurante e o Parque Aquático nos sábados, domingos e feriados. Esta solução vai possibilitar que as famílias tenham acesso ao serviço de bufê e a “la carte” no mesmo local.

– A abertura do deck da Náutica, com a estrutura de apoio de bar e as soluções propostas para ampliar o acesso da vista do clube para a Lagoa, em conjunto com a excelente solução encontrada para a reorganização da Náutica.

– Trazer o Infanto-Juvenil para o segundo andar do Aloha (a ser criado), colocando as crianças e jovens mais perto dos pais e da piscina.

– Solução encontrada de colocar o bar da piscina aonde é o Aloha, aberto para a pérgula da piscina, dando para este uma utilidade definitiva e importante para o clube. O Aloha é, hoje, um espaço nobre totalmente subutilizado, e quando tem alguma atividade, acontece de forma improvisada.

– A solução encontrada para spa, sauna e massagem ficou excelente, como também a criação da circulação contínua em volta do pavimento térreo do prédio do Ginásio.

Enfim, o Master Plan ainda está em gestação e já traz muitas surpresas positivas para o clube.

– Por que fazer um plano de investimentos de 6 a 8 anos? Quais as vantagens para o clube?
Victor Polonia –
A necessidade de um Plano Diretor era uma quase unanimidade no clube, tanto é que constava da proposta das duas chapas que concorreram nas últimas eleições, e era uma bandeira que eu levantava há muitos anos no Conselho Deliberativo. Com um Plano Diretor de longo prazo, você evita os “puxadinhos”, as “obras provisórias”, e as idas e vindas de acordo com a visão de curto prazo que uma gestão tende a ter. É estabelecido um norte para ser seguido, e anualmente revisado, para os investimentos do clube.

Ele não pode se tornar uma “camisa de força” para as futuras gestões (não tenho esse objetivo), como também não deve virar uma peça de prateleira. Minha intenção é deixar esta contribuição para o Clube e as próximas gestões para ajudá-las a ter uma visão sistêmica, integrada e contínua dos investimentos no desenvolvimento contínuo das nossas instalações.

– Qual sua avaliação do evento em que o Plano foi apresentado para os sócios? A receptividade foi positiva?
Victor Polonia –
Minha avaliação do evento é altamente positiva. Um evento aberto a todo o quadro social, divulgado na newsletter do clube e nas TVs internas, com ampla participação dos sócios. O Aloha estava bem cheio e o Caiçaras só tem a ganhar com uma maior participação dos sócios nas questões do clube. Foi um evento plural, que contou com pessoas de diferentes visões. Foi possível responder a diversas perguntas que fundamentaram um debate amplo sobre o tema e colher alguns subsídios para o aprimoramento do mesmo. Lembro que o Plano Diretor é estruturado por direcionadores amplos, contemplando demandas muitas vezes conflitantes, e norteará a futura distribuição de espaços no clube. Entretanto, ainda será necessário detalhar os diversos espaços, o que permitirá que muitas ideias surgidas ao longo do processo possam ser incorporadas. Esta reunião foi a quarta que realizamos, porém foi com um quórum mais amplo, pois foi aberta a todo o quadro social. Para a minha grata surpresa, a receptividade tem sido extremamente positiva. Digo isto porque as pessoas têm uma tendência natural a resistir às mudanças e o Caiçaras, além de já ser um clube espetacular, tem um perfil extremamente conservador. Daí a minha surpresa.

Nas três primeiras reuniões, com um quórum mais reduzido, e especialmente no Conselho Deliberativo, a recepção foi quase unânime. E a proposta de investimentos apresentada pelo Conselho Diretor, calcada no Master Plan para o próximo exercício, foi aprovada por unanimidade no Conselho Deliberativo, que é a instituição que tem a “chave do cofre” dos recursos para os investimentos patrimoniais do Clube. Sempre existem algumas observações a respeito de questões de estilo e design, mas na parte conceitual a receptividade foi de quase 100%.

Em relação à questão financeira, estamos absolutamente tranquilos. Temos cerca de 12 MM em caixa, uma passivo contingenciado de cerca de 2,5 MM com perfil de longo prazo, e fizemos um planejamento de investimentos anuais em torno 2 a 3 MM de forma a ser basicamente custeado pelas receitas das taxas de transferência, e por uma gestão eficiente do custeio do clube, a qual tem ao longo dos últimos três anos gerado superávits mais que suficientes para fazer face a estes investimentos ao longo dos próximos anos.